De início havia o Chronos, essa é a questão científica dos algoritmos, e da Computação: a condição da ciência, para além do fenômeno, é a de uma forma do tempo, e teria(?) que ter certas características. Muito bem.
Então começamos a ensinar isso aos jovens, que iriam descobrir, inevitavelmente, outras formas do tempo, sem falar que a eficácia nunca esteve do lado do Chronos. E então nunca saímos dele, na Teoria. Não faz mal, a teoria não é só a Teoria, tudo bem.
Na sua versão mais sofisticada, a programação é a escrita de um roteiro de teatro. Ela já era difícil quando se tratava apenas de contar uma história sem personagens, mas convenhamos, o que se pode dizer da vida sem usar ao menos personagens? E então fizemos uma programação orientada a… personagens (entendeu?).
Só que escrever uma história completa, com personagens verossímeis e tudo, é muito mais difícil, pobres dos programadores/roteiristas. É aí que entram os roteíros prontos-para-usar. Mesmo assim a coisa não ficou bem parada, especialmente no momento em que as coisas do mundo começaram a entrar no jogo. E agora até mesmo as pessoas de verdade, com as suas máscaras complicadas e suas leis curvas, querem e precisam entrar em ação. Hordas de bárbaros.
Um engenheiro de verdade não deveria dar o passo maior que a perna. Um verdadeiro engenheiro deve saber quando recorrer aos arquitetos: seu orgulho depende inclusive desse limite. Estes, por sua vez, devem saber a hora de dizer às pessoas que se virem, que se apropriem do espaço desenhado. E que se danem, se esse for o seu gosto. Com as ferramentas adequadas, claro.
Um arquiteto de verdade sabe que o problema do cliente (que não é um usuário!…) nunca será realmente o seu problema. Ao fazer o desenho da construção, que é bem sua, bem possível, sabe que ela não é o Possível, muto menos o Virtual, mesmo que haja flertes (pois essa é a graça da coisa). E que alguém me diga, pelo amor de Deus, qual é o problema nisso tudo. Eu não vejo nenhum. Que demos repouso ao Chronos, portanto. Ele está exausto, coitado.