Como se pode estar errado sem saber? Ora, sempre que se está errado, é sem saber (será?). O que se sabe então (porque algo, ou até muito, sempre se sabe)? Sabe-se algo pela lei, pelo acaso, ou de brincadeira [três termos? Não como um-dois-três, mais como 萬物.Enfim, nada com que se preocupar]. A lei não foi você que escreveu, esse é o seu encanto: o de não reconhecer autor. É algo de que você participa, o que não é pouco, mas isso não te faz dono dela. O conhecimento que a lei dá é como uma rede, age retendo, mas apenas as coisas grandes.
O conhecimento do acaso é o conhecimento da experiência, dos encontros. É suculento, mas incontrolável. Leva tempo para ser útil, e em regra chega tarde demais. Mas dá sabor à vida, o que não é pouco. O conhecimento da brincadeira é o princípio da eficácia. Da eficácia real, não da eficácia possível. Essa última é infelizmente sempre muito maior e mais apaixonante – por ser toda – mesmo que (e daí “infelizmente”) nos coloque na posição de não-verdadeiramente-dono, e/ou nos faça chegar tarde demais.
O que fazer?
Cuidar do procedimento do conhecimento, a começar por dar-lhe importância, o que implica cuidado. É possível saber sobre o erro, mas para isso é preciso suspender a suposição de erro preemptiva: “sei que erro”. Não é tão fácil assim, simplesmente saber que erra, como não é tão fácil nada saber do saber. Já adianto que algo sempre se sabe, e que bem se sabe o que se sabe (pois é da sua natureza ser sabido), portanto comecemos daí, por essa responsabilidade.
Responsável é aquele que quando lhe falam, responde. Veja que a eficácia do brincar, que nos faz saber do erro, não é a de não errar mais, mas a de errar certo.