Successful

Even as we think that computers are “automatic”, we know (and find reassuring) that they depend on our defining click to perform their duty. Would that make us masters of our domain? It might, but only to the extent of our knowledge of what goes on after that crucial click, and of what went on before. Of course, that this is possible with computers – vaguely, and to a very small group of people – is a testimony of how little we dare to really make them our own. Basically, computer litteracy is certified by comparison – by knowing more than others we fell proud and safe –, not by appointment. In other word, not legitimately. Exams are a proof of allegiance to an ideal (which is not a small thing, by the way), not knowledge. Software engineering is social engineering.

Paradox: if we use computers more actively, they will inherit the purposelessness of our normal lives. They aren’t inherently organized and/or organizing entities, far from it. Orderliness is never a condition, it is always a product of life; that’s why it is so valuable, and that’s why it is so hard. The real danger lies in our attempt to fulfill that dream of orderliness as a condition. It is only possible by restricting further and further our ability to act. And the logical exercise of justifying that stupidity is already in motion, with all the bells, whistles and fireworks that come along.

You can’t find a better symbol of decadence than a hacker that accepts money/power in exchange for freedom. They call themselves successful. They are “professional”, and they may be “accountable”,  but they are not responsible. To call them prostitutes would be an offense to prostitutes.

Will computers survive men? Foolishness: computers are humanity. Potence doesn’t need advocates.

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Não necessariamente

O princípio do mundo industrial (do mundo capitalista? Outra história) é a comoditização do trabalho. É fazer com que você possa contratar “um cara”, ou “uma mulher”, para fazer um trabalho. Os escravos podem estar no nível dos objetos, ou então no dos animais domésticos, que tem nome e até um certo amor; mas um escravo nunca será “um cara”.

Pois bem, a produção de software não funciona sob o regime do trabalho comoditizado. Ela funciona, em boa parte (pasmem) na forma do trabalho voluntário, mesmo no caso das empresas que vendem suas licenças de software como se fossem serviços ou mercadorias (muito estranhas essas mercadorias, por sinal). Mas a produção de software funciona desse modo anômalo, e não é por uma razão explicável economicamente. É como consequência de um princípio lógico. E é até simples de explicar, o que não deixa de ser supreendente, considerando que tantas coisas dependem diretamente disso para funcionar, em cada instante da nossa vidinha de todos os dias, no mundo inteiro.

Bom, acontece que, para que o trabalho de fazer software fosse comoditizável, seria preciso que cada elemento de um “software” (o que quer que seja isso) fosse separável do seu enunciador. Ora, se até nas artes essa questão está mais ou menos bem resolvida (na era da reprodutibilidade técnica da obra de arte), porque não para os programas? Porque o elemento básico de um programa de computador tem exatamente, precisamente, inteiramente, inescapavelmente, irresistivelmente, a mesma natureza da palavra. Mas com a obra de arte não é a mesma coisa? Sim, mas a obra de arte é a palavra colhida, e a produção de software é a palavra plantada. Computador é semente, ok? É para ser semente, e é o que a semente for, por que está nesse lugar, e por que ali foi  encontrado, e pode ser reencontrado, e sobre isso não digo mais nada.

Além disso, pode-se pagar alguém para escrever alguma coisa, mas não para simplesmente escrever qualquer coisa. Mas não seria possível dizer o que se quer que o programador programe, e assim convertê-lo numa espécie de jornalista? Até certo ponto sim, seriam os programadores operários. Qual é o problema então? O problema é que a sua produtividade é irrisória perto daquela dos programadores voluntários, os hackers. Tão pequena mesmo, que essa minoria produz, em valores absolutos, mais do que aquela maioria. Bom, é óbvio que esse útimos não trabalham de graça, mas eles trabalham por vontade própria, vão além da relação de subordinação, via de regra à margem de vinculos empregatícios formais duradouros (num devir-empresa interminável, por exemplo).

Onde está a impossibilidade lógica? Para que a palavra seja convertida em mercadoria, ela precisaria suceder a uma “lei da palavra”, assim como as mercadorias sucedem logicamente a leis físicas. Mas as leis físicas são leis do silêncio. É de uma lei do silêncio que provêm as coisas genéricas. As palavras, por outro lado, fazem ordem, ordem do discurso. A ordem e a lei são coisas diferentes. Confundí-las é como confundir o mar e o barco que flutua nele. Mas vai haver uma ordem do discurso computacional? Não necessariamente, meu caro. Não necessariamente.

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Filomena

Filomena – Filó – era uma mulher que acreditava nas pessoas. Literalmente: Filó não acreditava em Deus, em santos, em bichos, em palavras, nem em números; Filó acreditava em… (algumas) pessoas. Nessa ordem: acreditava em seus pais, em seus dois irmãos, em seus dois filhos, e em seus dois maridos. Acreditava em alguns espíritos, em algumas amigas, e em alguns amigos. A partir daí sua crença ia se rarefazendo, até que as pessoas virassem uma espécie de gosma indistinta.

Filó foi traída por pessoas em que acreditava, mais de uma vez até, e isso foi difícil de aceitar. Mas nada que abalasse a sua crença em pessoas, nada que fortalecesse a sua crença em palavras, números, imagens, sons, ou histórias contadas. Filó achava que a psicanálise era uma coisa estranha (“Mas eu já falo o que me vem à cabeça, mesmo quando minto. Todo mundo faz isso, não?”). Diferenciava entre as pessoas em que acreditava e as outras: usariam apelidos. E colecionaria fotos dessas pessoas, as colocaria em porta-retratos, álbuns e nos arquivos do seu computador. Todas a conheceriam como Filó. As outras, Filomena.

Filó queria também acreditar em si mesma. Mas isso depende dos outros, e aí está um problema de verdade. Pensando bem, entretanto, não era um problema para ela, e então nesse caso não aconteceu nada. Um dia chega, entretanto. Sempre chega um dia nas histórias inventadas. Pois bem, um dia Filó se apaixonou. Apaixonou-se por um homem. Apaixonou-se, aconteceram muitas coisas e depois mais algumas coisas ainda, até que desapaixonou-se. E também não é sobre isso a história. O que aconteceu mesmo foi num outro dia.

Num outro dia, aconteceu Nada. Entenda, não é que não aconteceu nada; é que, Nada, aconteceu. Como foi isso? Bem, Nada aconteceu quando Filó percebeu que tudo o que era realmente importante para ela tornara-se, de um modo ou de outro, imortal. Que todos os seus impulsos teriam algum tipo de vazão, mas que os efeitos de suas ações não retornariam sobre ela, ao contrário do que sempre acreditara. Nesse momento, como quando os aviões ultrapassam a barreira do som, Filó ouviu um estrondo.

FIló era conservadora, mas o seu mundo não precisava mais dos seus cuidados, e seria até mesmo imune aos seus descuidos. Filó suspirou e depois sorriu, matreira. Disse: “Legal…”, e foi fazer um chá verde.

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Euclides e o Estado Novo

Euclides queria ser ouvido. Achava que isso lhe fazia falta: sendo ouvido, colocaria sua vida nos eixos. Colocar a vida em ordem, pensava, é o possível, o necessário, o suficiente.

Lutava para se fazer entender. Imaginou que não importava tanto falar o tempo todo, mas que uma vez escutado, que fosse contundente, que o seu pensamento causasse impressão. Não era um homem imponente, não tinha uma presença marcante. Optou pela via da paciência, decidiu aproveitar as poucas oportunidades que tivesse. Seria disciplinado, consistente, tenaz, mas não queria ser insistente, obstinado, nem teimoso. Queria ser lembrado.

Foi difícil o seu caminho. Descobriu, após longo tempo, algo que o intrigou profundamente. Descobriu que as suas idéias se faziam cada vez mais claras, mas a sua vontade, cada vez mais obscura. Descobriu também que o que as pessoas escutam é a voz da vontade, essa é a verdade. Pensou, atormentado, que exibir sua vontade, seu maior segredo – tão grande que nem se lembrava mais dele –, seria perigoso demais. Arriscado demais. Entendia que manifestar a própria vontade abertamente é coisa obscena, ou ingênua, infantil.

Não conseguia colocar a vida em ordem, não podia descansar.

Um dia, encontrou seu amigo Macunaíma, que ao ouvir suas mazelas, lhe disse, apiedado: “mas Euclides, os homens é que são as máquinas, e as máquinas é que são os homens”. Disse também que descobrir isso lhe tinha dado uma satisfa mãe. Euclides ficou triste, muito triste. Pensou: ou me mato, ou fundo uma grande multinacional. Não fez nem uma coisa, nem outra. Esperou passar a tristeza, e continuou caminhando. “Caminhar é o próprio do homem”, filosofou. Só então cogitou de ver o que estava passando no cinema.

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道德經 十三章

十三章

寵辱若驚,貴大患若身。何謂寵辱若驚;寵為上,辱為下,得之若驚,失之若驚,是謂寵辱若驚。何謂貴大患若身;吾所以有大患者,為吾有身,及吾無身,吾有何患。故貴以身為天下,若可寄天下;愛以身為天下,若可託天下。

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honra e desonra é como medo
prezar: grande apreensão é como mesmo

o sentido de “honra e desonra: como medo”?
a honra ergue                      a desonra derruba
como medo de ganhar         como medo de perder
eis o sentido de “honra e desonra: como medo”

o sentido de “prezar: grande apreensão é como mesmo”?
no lugar do eu fazendo-se grande apreensão
eu se faz mesmo

destacando eu e mesmo
no eu, qual apreensão?

por isso

agindo o prezar no mesmo sob o céu
é como favorecer o enxertado sob o céu

agindo o amar no mesmo sob o céu
é como favorecer o semeado sob o céu

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Bumba

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O Estado não promove a ordem, ele combate a desordem, que são coisas inteiramente diferentes. Combater a desordem não é um despropósito: o Estado se torna previsível quando o faz, porque precisa produzir uma taxonomia da bagunça que pretende combater, enquanto ignora a bagunça que pode (e vai) de fato acontecer, da qual se alimenta, e que ele mesmo produzirá, na falta de alguém que o faça. Mas o Estado, previsível, pode ser orientado. Eis porque não se quer uma ditadura: elas são imprevisíveis, o grau máximo da esculhambação. As ditaduras vêm à memória às vezes (para alguns com nostalgia) como momentos de hiper-organização. Como pode essa imagem se sustentar? As ditaduras (que são sempre de direita) são parasitas do desejo de ordem que todos temos, e que tem o nome de mundo. Mas as ditaduras o fazem crescer, o simbolizam, o ritualizam, e o incentivam. É claro que no início as coisas “funcionam” (os trens de Mussolini chegam na hora), mas depois de alguns anos as pessoas descobrem que a força da ordem era delas mesmas, não do Estado, e o efeito das ações do Estado a partir daí é paradoxal: quanto mais força, mais desordem.

Na América as coisas são diferentes, e na China também. Nossa história brasileira ainda parece ser mais compreensível com o uso das categorias da Europa, mas deve deixar de sê-lo, quando entrarmos no mapa do mundo. Na América, há um amor à “liberdade” que vem da direita, e que se expressa por um ódio a qualquer governo, mas não ao Estado, cujas forças são privadas, e, segundo sua crença, dispostas magicamente pelo Deus-Grana (está escrita nas cédulas a obscenidade). Se a América estivesse menos ocupada com os escombros herdados do Império, teria mais facilidade em sair dessa cilada. Por isso mesmo, entretanto, ela é para os “estrangeiros” uma figura estatal: poderosa e previsível. Para a maioria dos americanos, é o contrário. Esses dois lados da moeda funcionam juntos, não é difícil de entender.

A China, acreditem, não é uma ditadura. A China vale uma nova teoria política, e uma outra visão da história, menos preocupada com as origens, mais preocupada com as sementes.

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A good life

What is the critical strategic notion? To know the opponent’s goal. What is the most common strategic pitfall? To assume that getting that knowledge is the easy part of the fight. And how did it come to be this way? Empires work by creating an illusion of infinite power, from which a prolonged and widely spread state of peace is achievable. Based on that perception of stability the empire is able to organize the resources at hand and deploy them in new demonstrations of strength, so that the illusion can be kept alive: a virtuous circle.

The citizens of the empire tend to emulate that macroscopic behaviour in their personal lives. Fabricating personal displays of power, they create an atmosphere where everybody thinks they know what everybody else wants. Strategical weakness is the tabula rasa of imperial societies. Strategical minds – those that successfully conceal their long term goals, even from themselves; those that focus on pure effectiveness – can easily succeed in that environment, if they keep themselves away from the temptations of power.

What is an opponent? Someone to fight with, not against. There are no enemies (this is an imposture), just opponents: everybody else.

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Filioque

Teorema: À capacidade de mover-se em liberdade no espaço corresponde um movimento de autocaptura no tempo.

Prova:  Todo auto-móvel é assim porque consome energia estando desconectado. A conexão é um problema temporal.

Corolário: A autocaptura não existe, ela persiste.

Exemplo: Na separação, o amor-próprio (o amor-a-um) se fortalece junto com o amor ao outro, até um limiar de esgotamento de energia, que exige a reunião.

Paradoxo: O amor-a-um não é necessário, ele é contingente.

Teorema: Todos possuem ao menos uma forma de inteligência em grau muito superior à mediana da população.

Prova: A inteligência é um atributo do humano por estar em movimento. Estar em movimento é o comum da gente, não o extraordinário. Quem está em movimento incapacita-se para a captura, assim como quem aperfeiçoa-se na captura movido pela sua própria força perde, na mesma medida, a capacidade de mover-se. No seu processo de autocaptura, cada forma de inteligência se fixa sempre em um grau de desempenho muito superior ao da mediana da população.

Comentário: Confundir a inteligência com uma habilidade ou conjunto delas é apenas a manifestação de um mecanismo de captura. É o mais conhecido hoje, o que não faz dele o mais  importante, ao menos do ponto de vista estratégico. Em outras palavras: com os preconceitos ligados à presença ou ausência de uma habilidade intelectual é preciso haver-se, mas eles não têm tanta capacidade de impregnar. Isso nos remete a “o amor-a-um não é necessário, ele é contingente“.

Corolário: Os mecanismos de captura que funcionam bem são coletivos, assim como são as estratégias de liberdade.

Teorema: O coletivo age no sentido de reduzir o desvio padrão de cada forma de inteligência, na mesma intensidade da sua grandeza (da grandeza do desvio).

Comentário: A ação do coletivo é brusca na direção das manifestações extremas, próximas ao máximo e mínimo: várias formas de banimento (a pior penalidade que pode ser imposta a um ser humano) foram concebidas ao longo da história. A ação do coletivo, por outro lado, é normalizadora na direção das manifestações em percentis mais próximos da mediana.

Paradoxo: O banimento da maioria é possível, se a negociação das distâncias sofrer uma perturbação brusca, irreversível.

Exemplos: As globalizações.

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Allen Newell, again

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This is where we seem to be, now (not too comfortable)

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This is where we are heading (which is already weird enough for me)

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And this is where some very creepy people believe we should go

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But then again, it wouldn’t be the first time, would it?

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道德經 十二章

十二章
五色令人目盲;五音令人耳聾;五味令人口爽;馳騁畋獵,令人心發狂;難得之貨,令人行妨。是以聖人為腹不為目,故去彼取此。

12

cinco cores, e o homem de olho cego
cinco vozes, e o homem de ouvido surdo
cinco sabores, e o homem de boca oca
caçadas galopantes,
e o homem de coração demente
preciosidades,
e o homem de passo preso

eis que o homem santo
é feito ventre, não feito olho

por isso
larga ali, pega aqui

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